domingo, 13 de dezembro de 2009

Amantes da Liberdade e da democracia: A desfaçatez de Lula


Basta compararmos a reação de Lula a duas eleições presidenciais recentes para sabermos de que lado ele está. Vamos recordar a eleição presidencial no Irã. Vimos pela televisão os protestos nas ruas de Teerã, as passeatas, os assassinatos. Enquanto os chefes de Estado, mesmo os mais cínicos, tinham a cautela de aguardar o pronunciamento dos aiatolás, Lula foi de uma rapidez impressionante: Ahmadinejad venceu, é o presidente e é nosso amigo. E como poderíamos esquecer que os iranianos baleados na rua comportavam-se como torcedores insatisfeitos com o placar do jogo?

Assim disse e agiu o nosso presidente. Agora Lula tem uma opinião diferente. Ele bate o pé e declara que não reconhece o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, no que mantém uma perfeita coerência. Lula gosta é de ditadores, tiranos, genocidas.

A diplomacia petista está sempre do lado deles. No entanto, não é só essa ostensiva aversão à democracia o que explica a recusa de Lula de reconhecer a eleição hondurenha. Há uma razão maior: o Foro de São Paulo, presidido por Fidel e Lula, e Seu representante maior Chaves, que não disfarça mais, diz claramente diante das câmaras de TVs, que começou o novo socialismo bolivariano, esses mesmos que tem nas costas cem milhões de mortes, só em nossa vizinha Cuba são cem mil mortes e vários presos políticos, que ainda hoje sofre nos calabouços de Fidel, encarava a dominação de Honduras como uma questão de honra. Entronizar Manuel Zelaya era prioridade da agenda revolucionária. Mas o povo hondurenho resistiu e venceu.

Lula mal pode suportar o fato. Agora os amantes da liberdade têm Honduras como exemplo triunfante de reação ao socialismo. Todos os amantes da liberdade na América Latina foram hondurenhos nos últimos meses. A pressão foi enorme. O país foi boicotado e hostilizado. Os bandidos do continente e fora dele partiram para cima de Honduras. Era um escândalo total: um pequeno país fazendo valer sua Constituição democrática e mandando as ordens e intimidações da "comunidade internacional" para os seus próprios tribunais.

Quando ficou claro para o Foro de São Paulo que os hondurenhos não iam se ajoelhar veio outra cartada: Zelaya materializou-se na embaixada brasileira. Não era lindo ver o Celso Amorim na televisão se dizendo surpreso? Lula também se mostrou surpreendido. O coitado nunca sabe de nada. De qualquer forma, a jogada da aparição mágica também não deu certo. Parecia que nada poderia deter um povo comprometido com a liberdade. E agora um novo presidente está eleito. Zelaya entra para as novas edições do manual do perfeito idiota latino-americano.

A partir dessa conversa fiada, o Brasil simplesmente interveio em Honduras, tomando claramente o partido de Zelaya, sem que essa escancarada intromissão na política de um país estrangeiro fosse seriamente questionada, exceto pelo próprio governo provisório de Honduras, que levou o caso à corte de Haia. Essa conversa fiada também foi utilizada para justificar uma pressão norte-americana pró-Zelaya, que só não produziu resultados graças à rápida mobilização dos republicanos no Congresso dos Estados Unidos, capitaneados pelo senador DeMint, que reverteu à tendência de atuação do governo Obama. Em seu boletim Freedom Alert, o senador DeMint comemorou a vitória da batalha de Honduras, com palavras que traduzem o espírito da democracia norte-americana.

A manipulação da mídia no caso Zelaya, não só a brasileira, mas a meu ver principalmente esta, foi deslavada. Nos noticiários impressos e televisivos, quando se referiam ao governo de Michelleti, sempre os rotulavam de governo golpista.

A camaradagem comunista do companheiro Lula prevaleceu aos interesses, instituições e imagem do povo brasileiro. A manipulação da mídia deixou as pessoas menos informadas, sem saber o que realmente estava acontecendo, nas ruas, sempre que conversava com alguém, dizia que não eram a favor do golpe, porém, quando perguntava quem tinha dado o golpe, alguns não sabiam, outros diziam que se o Brasil estava apoiando o "bigodão", era que ele tinha sofrido o golpe. Agora, passado toda a escaramuça causada pelo governo brasileiro, não vemos mais a mídia falar da embaixada do Brasil e nem de Zelaya, o que torna obscuro o que o governo brasileiro, ou melhor, Lula, de vez que neste como em outros casos age ao arrepio das instituições nacionais, o que vai fazer com Zelaya, vai despejá-lo ou deixar as autoridades hondurenhas prenderem.

Que bela história Honduras nos proporcionou. Vitória!
Daniel Rocha

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