sábado, 6 de fevereiro de 2010

Oligarquização e Continuísmo Vermelho no Piauí


Uma das principais bandeiras de luta dos partidos de esquerda, sobretudo do PT, era o combate ao governo de minorias sobre a maioria. Para os Ptistas, as oligarquias piauienses já governaram o estado por mais de dois séculos, por isso a nova elite vermelha que comanda o Piauí preconiza o fim da oligarquia piauiense. Mas o que realmente mudou na composição dos seus quadros de comando partidário e gestores dos governos petistas? O padrão familiar foi substituído por outro diferente? O que se percebe é um continuísmo, característico das velhas oligarquias, que perpassa o universo Ptista. Estas idéias são do professor Cleber de Deus doutor em Ciência Política e Professor da UFPI, em seu artigo no Diário do Povo de 05/02/2010 ano XXII nº. 8.501, sessão Opinião. Idéias estas as quais resenho e concordo.

O professor Cleber comprova empiricamente a hipótese da "oligarquia vermelha" no Piauí, descrevendo a montagem do secretariado do segundo governo de Wellington Dias e demais cargos ocupados por petistas no executivo estadual. Nesse ponto, conforme o professor existe uma prova concreta da "oligarquização vermelha" em solo piauiense através dos "laços vermelhos” que se estabeleceram através da consangüinidade e parentesco entre os ocupantes dos cargos estaduais. Cita diversas relações de parentesco entre servidores de alto escalão com o Governador, com o deputado Nazareno Fonteles, o Secretario Antonio José Medeiros, a Deputada Flora Izabel, entre outros. Todos mantendo parentes na máquina estatal piauiense. Outra comprovação do professor é o continuísmo dos quadros na administração e consequentemente nas disputas eleitorais a partir de 1982 quando o PT começa a participar de eleições no Piauí. Não há novidade ou outros nomes de lideranças nas disputas, sempre os mesmos, a começar por Antonio Jose Medeiros e Nazareno Fonteles que tem disputados todas as eleições.

É perceptível na gestão do PT que a militância vermelha, aquela que carregava bandeira, fazia piquetes, linha de frente, afinal “os generais nunca vão à frente de batalha” foi renegada na ocupação de postos e vantagens. O PT deu preferência para os velhos generais, que o professor os denomina de novos oligarcas, e aos novatos e de última hora, como novos companheiros não de batalha, mas para dividirem as honras e medalhas. É inegável que os laços de consangüinidade e parentesco tenham sidos critérios determinantes para ocuparem postos e cargos nestes dois mandatos do governador Wellington Dias (PT). Finaliza o professor Cleber afirmando que a oligarquia se metamorfoseou: antes amarela, vermelhou.

Valfrido Viana. (Historiador)
valfridopi@yahoo.com.br

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