sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PT 30 anos: Do socialismo à social-democracia


O Par­ti­do dos Tra­ba­lha­do­res com­ple­tou 30 anos no dia 10 de fe­ve­rei­ro e pou­co traz da­que­le par­ti­do cri­a­do em 1980 por sin­di­ca­lis­tas do ABC pau­lis­ta. O par­ti­do atra­ves­sou vá­ri­as fa­ses e as mu­dan­ças fi­ca­ram mais evi­den­tes de­pois que che­gou à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca e a governos estaduais como o do Piauí.

O que mar­cou o PT até a dé­ca­da de 90 foi seu ra­di­ca­lis­mo e a opo­si­ção ao sis­te­ma ca­pi­ta­lis­ta, mas as der­ro­tas em elei­ções anteriores le­va­ram uma ala do par­ti­do a re­a­li­zar mu­dan­ças no par­ti­do com ob­je­ti­vo de ga­nhar as elei­ções e che­gar ao poder. O PT já não tem mais o vi­és clas­sis­ta e o discurso do con­fli­to ca­pi­ta­lis­mo ver­sus so­ci­a­lis­mo que mar­cou a iden­ti­da­de do PT no cam­po da es­quer­da. O PT com Lu­la Presidente dei­xou de fa­lar de lu­ta de clas­ses e pas­sou a fa­lar de ci­da­da­nia, em avan­çar em re­la­ção aos di­rei­tos po­lí­ti­cos, so­ci­ais e ci­vis sem eli­mi­nar as clas­ses so­ci­ais.

O PT não que­r mais im­plan­tar o so­ci­a­lis­mo e es­ti­mu­lar o con­fli­to en­tre tra­ba­lha­do­res e patrões. Desde 2002 o PT deu uma ver­da­dei­ra gui­na­da ao cen­tro. Lu­la e o PT foi se des­lo­can­do pa­ra uma con­cep­ção que se mos­trou bas­tan­te exi­to­sa do pon­to de vis­ta elei­to­ral: a so­ci­al-de­mo­cra­cia. Lu­la não che­gou ao po­der pa­ra aca­bar com o ca­pi­ta­lis­mo brasileiro mas, pa­ra for­ta­le­ce-lo e am­pli­ar a sua in­ser­ção na glo­ba­li­za­ção, no mer­ca­do fi­nan­cei­ro in­ter­na­ci­o­nal. Além do cres­ci­men­to eco­nô­mi­co den­tro dos mol­des do ca­pi­ta­lis­mo, o go­ver­no Lu­la pri­o­ri­zou os pro­gra­mas de trans­fe­rên­cia di­re­ta de ren­da através da bolsa família. Afinal os que se diziam inimigos do capitalismo aprenderam com o seu principal pensador Adam Smith que dizia “nenhuma sociedade pode ser próspera e feliz quando a maior parte de seus membros é pobre e miserável”. No go­ver­no fe­de­ral, Lu­la pas­sa a ter uma for­ça mui­to gran­de en­tre a po­pu­la­ção que co­me­ça a con­su­mir, um pú­bli­co que não é o que fun­dou o PT e nem o con­du­ziu o par­ti­do en­tre as dé­ca­das de 80 e 90. Na pratica um ensaio de populismo e de políticas capitalistas. A in­te­ra­ção en­tre PT e Lu­la é com­pli­ca­da, não há dú­vi­das que o pre­si­den­te Lu­la é mai­or que sua le­gen­da e res­tam dú­vi­das so­bre quem che­gou ao po­der, se o PT ou Lu­la.

A in­di­ca­ção da mi­nis­tra Dil­ma é uma evi­dên­cia cla­ra de quem man­da é Lu­la e não o PT. O PT que res­tou de­pois das defecções de militantes mais socialistas e das mu­dan­ças de dis­cur­sos e es­tra­té­gias é o PT do mensalão. O PT e Lula têm forjado uma no­va iden­ti­da­de para o partido após per­der a identificação com o so­ci­a­lis­mo e com a éti­ca. Após as­cen­der ao po­der, em 2003, o par­ti­do pas­sou por trans­for­ma­ções tan­to ide­o­ló­gi­cas quan­to po­lí­ti­cas. O PT se tor­nou um par­ti­do so­ci­al-de­mo­cra­ta, ape­sar de ten­tar se pre­ser­var como le­gí­ti­mo de­fen­sor das clas­ses po­pu­la­res e das idéi­as so­ci­a­lis­tas. Con­tu­do, o PT não se as­su­me co­mo par­ti­do de cen­tro-es­quer­da, pois a ma­nu­ten­ção da ima­gem de si­gla de es­quer­da pos­si­bi­li­ta que te­nha um bom trân­si­to en­tre os di­fe­ren­tes mo­vi­men­tos so­ci­ais e por outro lado liberdade para negociar e fazer alianças com os partidos liberais e conservadores que antes eram inimigos e algozes, agora amigos, como as alianças políticas que se tem realizado em particular no Piauí e em Batalha.

Valfrido Viana (Historiador)
valfridopi@yahoo.com.br

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