11 de dezembro de 2016

Ex-diretor da Odebretch que citou 51 políticos tem raízes em Batalha-PI

Pouca gente sabe, mas o ex-diretor de relações institucionais da Odebretch, Cláudio Melo Filho, que causou uma avalanche no mundo político ontem (09), ao citar 51 políticos que teriam recebido propina da empreiteira, tem fortes raízes no Piauí.

Delator – Cláudio Melo Filho
Seu pai, Cláudio Melo, natural de Batalha, chegou a ser Secretário de Planejamento do Piauí no governo de Petrônio Portela.

Sua tia, Gracinha Melo, é casada com o deputado federal Átila Lira (PSB).

Sua prima legítima, Juliana Moraes Souza, é deputada estadual pelo Piauí e esposa do ex-governador Antônio José de Moraes Souza Filho, mais conhecido como Zé Filho.

Já o avô, Clóvis Melo, também nascido em Batalha (PI), foi deputado Estadual nos períodos de 1951 a 1955, de 1955 a 1959 e de 1959 a 1963, prefeito de Batalha de 1942 a 1945, e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Piauí. Clóvis foi casado com a senhora Maria Melo, tiveram nove filhos: Claudio Melo(pai do delator), Messias Melo, Maria José, Maria de Lourdes Melo (mãe da ex-deputada estadual Juliana Moraes Sousa), Inês Melo, Gracinha Melo (esposa do deputado federal Átila Lira), Clóvis Filho, Conrado e Ana Maria.

Cláudio Melo Filho, o delator, é primo de segundo grau do prefeito eleito de Batalha João Messias de Freitas Melo (PP).

Algumas informações constam em discurso proferido em 13 de fevereiro de 2012, na Câmara Federal, pelo deputado federal Paes Landim (PTB), o decrépito, da lista da Odebretch, onde o parlamentar lamentava a morte do pai do delator do esquema de corrupção.

Confira:

“…Sr. Presidente, faleceu no mês passado, em Salvador, onde se encontrava em visita aos seus familiares por parte de sua esposa, o brilhante piauiense, o talentoso piauiense Cláudio Melo.

Nascido em 1940, na pequena cidade de Batalha, no Piauí. Filho de um probo por excelência, homem de bem, homem público exemplar, Clóvis Melo, cuja figura já tive oportunidade de falar quando da sua morte —Deputado Estadual, Prefeito de Batalha, membro do Tribunal de Contas do Estado —, foi símbolo da dignidade da política, e Cláudio Melo seguiu as pegadas do pai.

Diplomado pela Universidade Federal da Bahia, na Escola de Direito, em 1963, primeiro aluno da turma, orador da turma. Foi presidente do grêmio do Colégio Marista, em Salvador, onde fez o curso colegial.

Foi Presidente do famoso DCE dos estudantes da Bahia, nos áureos tempos da política estudantil, consequentemente participante do Conselho Universitário da Universidade da Bahia.

Logo após diplomado, foi residir em Teresina, a pedido de seu pai, onde, entre outras funções, foi designado pelo Governador Petrônio Portela para trabalhar na Secretaria de Planejamento, chegando a ocupar interinamente esse cargo.

Petrônio Portela tinha uma grande admiração por Claudio. Desejava sua permanência no Piauí. Chegou a militar como advogado por um período no Maranhão. Foi consultor jurídico da Caixa Econômica Federal. Mas as razões de coração imperaram sobre as razões telúricas.

Casou-se com Maria Laura, ilustre filha da Bahia, irmã do grande professor e cientista político Luís Navarro de Brito. Essa sua identidade com Navarro de Brito não foi somente familiar, mas também ideológica. Comungavam dos mesmos ideais republicanos, de independência dos Poderes, de crença no Estado de Direito, do respeito aos direitos humanos.

Luís Navarro de Brito foi a mais brilhante geração da Bahia do seu tempo. Estudou ciência política nos Estados Unidos e tinha em Claudio Melo não sóum cunhado, mas um irmão de ideias e de ideais.

Perseguido pelo regime autoritário e pela mesquinharia política da província, Narravo de Brito morreu cedo. Talvez traumatizado pelos constrangimentos que passou na sua vida. Era um intelectual brilhante, gigantesco, tinha uma cultura fenomenal, mas que o regime autoritário ceifou. Talvez por alguma inveja da oligarquia baiana.

Apaixonado pela Bahia, lá Claudio ficou de vez. Tanto é assim que a Assembleia da Bahia deu-lhe o título de Cidadania. Lá teve todos os seus filhos: Patrícia; Cláudio Melo Filho, que é Diretor da Odebrecht, jovem e talentoso empresário, eficiente e dinâmico; (ininteligível.).

Mas, na Bahia, Cláudio Melo exerceu várias funções empresariais. Dada a estrutura jurídica, as empresas sempre procuravam o momento de novas definições de regras no mercado empresarial e empreendedores e diretores que tivessem afinidade com o Direito, servindo até de conselheiro para as grandes decisões legais pelas empresas.

Assim, participou, Sr. Presidente, da COHABITA Construções e Habitações do Nordeste S/A. Na época, era uma das maiores empresas de construção e incorporação imobiliária do Brasil, chegando até a 40% do mercado imobiliário de Salvador, inclusive, 60% aqui em Brasília.

Entre outras empresas em Salvador, finalmente foi convidado pessoalmente pelo Dr. Emílio Odebrecht para ingressar no grupo, no caso, diretor do grupo em Brasília, ocupando funções de Vice-Presidente, ingressando à Odebrecht aos 75.

Cláudio Melo, pelas suas ligações, pelo seu passado de tendência esquerdista, de pensamento de esquerda, chegou, inclusive, a ser envolvido em inquérito policial militar, foi absolvido, defendido por colega e professor da sua faculdade. Ao mesmo tempo, Sr. Presidente, ele sempre esteve ao lado das correntes progressistas do País. Ligado ao MDB, razão por que foi um dos que mais motivaram apoio ao Governo das Diretas Já deste País, daí a sua amizade com grandes personalidades políticas do País, inclusive o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Sr. Presidente, Cláudio Melo então faleceu deixando um legado importante. (Ininteligível) algum tempo fora das suas funções empresariais na Odebrecht, ficando seu filho, o Cláudio Melo Filho, com o mesmo perfil, o de um rapaz trabalhador, já com formação de engenheiro, dinâmico, empreendedor, inovador, criativo e homem da absoluta confiança do Grupo Odebrecht, exatamente pela sua capacidade de trabalho dentro da linha traçada pelo velho Norberto Odebrecht, de trabalho e dedicação integral aos objetivos empresariais do grupo, que tanto honra a Bahia e o Brasil, até porque o Grupo Odebrecht se põe hoje em vastas partes do mundo.

Pois bem, o certo, Sr. Presidente, é que ele tinha tudo para ser um grande advogado, um grande jurista, um grande político, se quisesse o Estado do Piauí, porque oportunidade não lhe faltou, mas ficou na sua Bahia querida, em função do seu amor pela sua mulher querida. Aí forjou sua carreira empresarial, dado o suporte jurídico que ele prestava a esses empreendimentos dos quais participou como dirigente.

Mas, sobretudo, posso afirmar a V.Exa., Sr. Presidente, que na minha geração, no Estado do Piauí, não conheci ninguém mais preparado, mais talentoso, com uma vasta cultura jurídica, um grande orador, exuberante orador dentro da velha tradição baiana. Acho que ele incorporou esse espírito da velha tradição baiana dos grandes oradores e, sobretudo, homem fino, educado, trabalhador. E aqui, na Constituinte, serviu de apoio ao (ininteligível)majoritário da Constituinte, Ulysses Guimarães, mas sobretudo suas ligações com Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, e ajudou muito na articulação de várias votações da Constituinte, como em algumas áreas de ciência, tecnologia, de educação, entre outras.

Portanto, quero aqui prestar uma homenagem a este velho e querido amigo, que morreu jovem, Sr. Presidente, ainda antes dos 70 anos de idade, e que vinha já há algum tempo adoentado, razão por que não pôde prestar, na sua plena maturidade, todo o brilho da sua cultura conquistada na velha Bahia, onde estudou durante mais de oito ano e onde viveu praticamente a sua vida inteira o fulgor da sua inteligência, e ainda mais, Sr. Presidente, sobretudo a sua experiência, a sua grande maturidade.

Ele foi exemplo do jovem que dedicou a vida ao estudo, dedicou a sua mocidade ao trabalho, e toda a sua vida, após a mocidade, foi também no maior senso de responsabilidade. O exemplo de sua vida está todo espraiado no comportamento de seus filhos, todos eles seguindo o legado do seu querido e saudoso pai, Cláudio Melo.

Muito obrigado, Sr. Presidente.”

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